9.6.09

Black pixel contra o aquecimento global

Contribua, do seu computador, para reduzir a emissão de gás carbônico

Se alguém pensa que mudança climática é um problema tão complexo e tão grande que só os governos podem ajudar a resolver, é melhor pensar de novo. A AlmapBBDO (www.almapbbdo.com.br) e o Greenpeace (www.greenpeace.org.br), com a assessoria técnica do Centros de Estudos Avançados do Recife, C.E.S.A.R, (www.cesar.org.br) – um dos principais centros de tecnologia da informação no Brasil – desenvolveram um projeto que permite a qualquer pessoa, sem grande esforço e sem alterar radicalmente o seu modo de vida, contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera. Ele se chama Black Pixel e funciona a partir da tela do seu computador.

O projeto baseia-se num programa que pode ser capturado através da Internet e instala um quadrado preto na tela. É possível desligá-lo a qualquer hora. Mas enquanto está funcionando, o quadrado reduz o consumo de energia e as emissões de CO2. O desafio é chegar a 1 milhão de Black Pixels instalados, que equivaleriam à uma economia de 57 mil watts/ hora ou a manter apagadas 1.425 lâmpadas de 40W por uma hora. Uma usina à carvão, para produzir a mesma quantidade de energia, emitiria 70 kg de CO2.

Portanto, enquanto nossos políticos evitam enfrentar a crise climática, com o Black Pixel, você pode começar a agir para pelo menos diminuir a dimensão do problema. Instale o programa e avise aos seus amigos, colegas e familiares. Quanto mais gente usar o quadrado, melhor será para o planeta. O projeto só funciona em monitores de tubo e de plasma. Para instalar o Black Pixel sem nenhuma complicação acesse o link www.greenpeaceblackpixel.org/#/pt



(Texto integral do Release do Greenpeace Brasil)

6.4.09

Pirulito Pop Rosa

Era assim que eu pedia:
"Ah! Me dá o troco de pirulito pop rosa, por favor?"

Hoje chupei um e achei que tinha gosto de terceiro ano...

26.3.09

Com bicho não tem conversa

Um passarinho está cantando na janela e me lembrou que a falta de comunicação entre espécies foi uma das coisas mais sábias da Natureza.

Dia desses, aqui no estúdio, ouvi o barulho de algo batendo na janela.
Era um passarinho que entrou na sala mas não conseguiu sair porque a janela estava fechada. E ele ficou um tempo bicando o vidro sem entender porquê não conseguia voar pra fora.

Morri de dó e fui abrir a janela pra ele sair.

A janela é daquelas que correm pra cima, e no que empurrei pra cima a parte da baixo da janela, o passarinho - burro - ficou preso entre um vidro e outro. Chorei, esperneei, pedi ajuda, tentei abrir a janela novamente... Mas nada do que eu fazia melhorava a situação do passarinho, que ficou assim, com as duas asinhas abertas, espremido entre os dois vidros, chorando.

Enquanto eu tentava achar alguma coisa fina que pudesse me ajudar a empurrar a bundinha dele pra cima, vários outros passarinhos pousaram na árvore perto da janela e ficaram chorando, todos juntos, na mesma piada, a agonia do amiguinho preso.

Quando eu empurrava o bichinho pra cima e ele chorava mais alto - acho que de medo - os outros começavam a voar mais perto da janela.

Fiquei conversando com eles, pedindo calma, que eu já estava conseguido.
Depois fiquei nervosa e mandei eles todos calarem o bico porque estavam deixando o coitado agitado demais, e quando ele tentava voar e não conseguia, acabava escapando do suporte improvisado para ajudar, e a situação ficava ainda pior.

As pessoas em volta riam de mim, me chamavam de retardada, que deixasse o passarinho idiota morrer, que foda-se o dele que não viu o vidro e etc. Fiquei espantada com a covardia e falta de amor ao próximo. O passarinho é uma vida. Pequena, mas talvez com mais propósito que a nossa.

No fim das contas, consegui soltar o passarinho, que saiu voando com os amigos - provavelmente contando a vantagem de ter sobrevivido ao "ataque" humano.

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Se há uma sensação que eu odeio ter é a de passarinho preso na janela.
Quando a gente sofre algo que não é culpa nossa.
Vemos todo o mundo e todas as possibilidades à frente e não conseguimos nos mover.
Aparece algo que parece querer nos ajudar, mas entendemos como uma coisa ruim.
No final a gente se solta, mas não sabe bem de quem é o mérito.

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Ontem foi a vez da libélula. O Léo insistiu que o corpinho dela era durinho e que não ia entrar no meio dos vidros, que a gente podia abrir a janela que ela ia voar pra fora.
Eu insisti.
Ele insistiu.
Ok, abrimos e janela e adivinha: mais um bicho preso entre os vidros. Com o corpinho dobrado e as asinhas abertas. Já aconteceu com borboletas, mariposas, mosquitos.

Após conversas e mais conversas com a libélula, ela resolveu cooperar e ajudar a gente a libertá-la.

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Na quinta série eu li um livro na escola que chamava "Com lagartixa não tem conversa". A história de um garotinho sem amigos, filho único, que morava num prédio onde não se podia brincar na garagem. Tadinho. Daí ele ficava conversando com uma lagatixa daquelas bem transparentes, que aparecia todo dia atrás da cortina da sala.
Mas ela nunca respondia.
Claro.


17.3.09

Luto

A morte é uma vadia assustadora que fica sondando a gente muito de perto.
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Viver ou morrer é algo aleatório. Às vezes a bola cai perto do nosso número nessa roleta. Às vezes cai várias vezes perto do nosso número, como que tentando acertar o nosso. Enquanto não acerta, a gente sofre porque fica, mais do que pela partida dos outros.
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Fiquei sabendo muito de repente, da morte de um amigo que não via há muito tempo. Minha mãe me ligou, de um outro país, às 6 da manhã, pra me contar que o Bruno havia morrido.
Como assim? Que Bruno?

A minha maior tristeza agora é que eu não tenho mais contato nenhum com as pessoas daquela turma de amigos que ficou no passado adolescente, mas que eu sinto maior saudade. Não tenho o telefone de ninguém, e não dá pra saber mais nada.

Morreu de que? Onde? Quando? E o velório? E o enterro?

Fico louca mandando scrap pedindo notícias, mas sei lá. Acho que a relação morreu junto com o Bruno.

Vai com Deus e fica perto do seu pai.
Na memória.

20.2.09

Marina

O cigarro. O cd. Marina.

Acende um cigarro, leva-o à boca lentamente, observando os desenhos que a fumaça faz no ar quase rarefeito do quarto do hotel.
Ele já foi. Assim, num rompante. Levantou-se e foi, deixando Marina recostada à cabeceira da cama.
Ela olha de soslaio para o livro sobre o criado-mudo, mas não gosta da capa. Parece tratar de um tema pouco romântico, e isso Marina não suportaria. Não naquele momento.

A música ainda toca no computador repousado sobre a mesa. Algum sucesso dos videoclipes. Marina não move um músculo, exceto os necessários para levar seu cigarro de encontro aos lábios. Mas não tem força suficiente pra sugar. Essa música já tocou mil vezes, pensa.

O cheiro é inútil. Sexo passado e fumaça do cigarro de cravo. Não parece que alguém havia feito amor naquele lugar. Jamais.
Nem amor nem sexo. Mas Marina sim.

Os desenhos na fumaça estão mais interessantes que o ato de fumar. As cinzas que caem quentes a lembram que sua pele ainda vive.

Revira os olhos tentando enxergar por dentro seu grande vazio. Reúne o resto de suas forças e se preenche com a fumaça. Prende a respiração para enxergar melhor. Vê, lá no fundo, um resquício do passado.

A natureza é feita de padrões, pensa. Nada mais natural que a repetição.

Olha novamente para a fumaça e se deixa levar pelo movimento, que guia seu olhar até a porta, entreaberta. Ele vai voltar.

Marina espera, como sempre esperou. A vida é feita de padrões.
Dá seu último suspiro, enchendo o peito de fumaça, sexo e esperança. Dorme um sono pesado, sem sonhos.

Derruba o toco do cigarro aceso no lençol manchado do amor que fez sozinha. Morre em meio ao calor que ficou reprimido nela toda a vida que perdeu.

Acorda de um pulo. Olha para o lado e o vê ali, ressonando, recostado à cabeceira.
Com o coração ainda na boca, olha de soslaio para o criado-mudo e encontra o maço de cigarros sobre o livro.

Reúne o resto de suas forças e leva um cigarro à boca, segurando apenas com os lábios. Procura pelo isqueiro. Acende. Outra vez essa música, pensa.

Traga quase todo o cigarro de um só fôlego. Inunda o quarto com fumaça.
Levanta e sai, nua, deixando a porta entreaberta.